![]() |
| Gates |
Em 2003, o Projecto de Arquitectura, cujo processo fora entregue na Câmara no ano anterior, tinha sido enviado por esta pelo menos às seguintes entidades, pedindo pareceres: CCR, IPPAR, Bombeiros, Ministério da Economia, Desenvolvimento Rural, Região de Turismo, DRAOT. Que ninguém pergunte o significado destas siglas exotéricas, é preciso ter uma fé cega para não desesperar da razão... Tudo em triplicado, mais 5 cópias.
CCR
CCR
Nesta altura apareceram problemas inesperados com a CCR, que envia à Câmara uma carta recheada de erros sobre a história da Casa, os elementos originais, o estado em que se encontrava antes da substituição do telhado e depois desta. Erros evitáveis com uma simples consulta na internet ao inventário do património arquitectónico (IPA), um contacto com os arquitectos ou com os donos. Discordavam com a cobertura e as telhas, as colunas e o alpendre, a janela de canto e até as portas.
É evidente que a CCR não cometeria tais erros sem razão. Não foi difícil descobrir que as objecções mencionadas na carta resultavam duma denúncia com informações falsas. Até aí, nada de surpreendente. O que é extraordinário, é que um organismo público respeitável e competente desse seguimento sem se dar ao trabalho de verificar os factos. Lá foi necessário escrever mais uma carta, explicando os erros e pedindo uma reunião. Quando a reunião teve lugar, os quadros responsáveis, que entretanto tinham mudado, explicaram que a CCR tinha ultrapassado as suas competências e que já tinham preparado nova carta à Câmara, aprovando o projecto.
IPPAR
IPPAR
O IPPAR foi informado da resposta ao primeiro parecer da CCR, da reunião e subsequente carta enviada por essa mesma instituição à Câmara, dando um parecer positivo sobre a restauração da casa. O pedido de alteração do edifício foi aprovado condicionalmente pelo IPPAR. A condicionalidade tinha a ver com um despacho de 1981 sobre a eventual classificação da povoação como aldeia histórica. Parece que este capítulo de intrigas e despeitos parece ter sido ultrapassado. Mas a saga continua.
Saúde?
Saúde?
Muito, muito tempo após e quando finalmente todas as respostas pareciam ter sido recebidas, numa visita a um responsável pelo urbanismo na Câmara este disse que ainda faltava o parecer da Direcção Geral de Saúde. Da Direcção Geral de Saúde?! Para uma licença de obras? Saúde do quê, das pedras e barrotes centenários? As pedras de granito devem estar evidentemente cheias de osteoporose, os barrotes têm algum reumático e se calhar as portas e janelas sofrem de Alzheimer avançado. O Albatroz pediu para ver o decreto regulador dessas trapalhadas. Claro que, numa pesquisa demorada à documentação, não havia menção de Direcção Geral de Saúde. Hum... home free, at last. Mas só por agora.
Câmara
Câmara
Visto que a Câmara, ou o coordenador do programa das aldeias históricas ou quem quer que seja, não gosta das telhas que foram usadas no telhado novo da casa, que ponham outras telhas eles próprios. Decisão para a qual nunca haverá arrependimento suficiente. Mas enfim, foi assinado com a Câmara um Protocolo de Cooperação para a recuperação de telhados e fachadas, ao abrigo do programa de recuperação das aldeias históricas. Allea jacta est e tudo isso. O que pode dar para o torto, dá de certeza.
O primeiro problema foi logo a necessidade de coordenar obras exteriores (da Câmara) e as interiores (da responsabilidade dos donos).
ITP
ITP
Com a estimativa do custo total do projecto de restauração da casa a crescer para valores cada vez mais absurdos em relação à localização e ao objectivo, decidiram concorrer aos subsídios do ITP - Instituto de Turismo de Portugal. Foram recebidos de braços abertos, com a maior simpatia e colaboração. Pelos vistos, correspondiam ao perfil e metas dos programas de investimento existentes.
Mas a papelada, as propostas, as projecções, a informática, um estudo financeiro. A papelada inevitável. Em princípio. Excepto quando é preciso obedecer a regras dum sistema informático ultrapassado que não funciona no sistema operacional da Apple. Apareceu uma economista que garantiu ter já preparado várias candidaturas. Be my guest. É preferível pagar a alguém saiba fazer o necessário, do que sofrer a tentação de, em vez de preparar uma candidatura, preparar um projecto de simplificação e reforma dos programas de incentivos ao turismo.
Pode ser optimismo, inocência ou falta de atenção, mas entre alguém pretender que sabe e efectivamente saber, vai a distância do soft spot que se tem sempre para com os compatriotas, quando se vive muito tempo fora. Mas o certo é que a candidatura não andava, e o ping-pong entre a economista e o ITP se eternizava. Finalmente compraram um PC, com alguma dificuldade encontraram e instalaram o software apropriado e com a ajuda do departamento de análise e acompanhamento ao investimento (DAAI) lá entregaram a candidatura.
O projecto destinava-se a recuperar e a adaptar, para turismo da habitação, um solar de traça arquitectónica típica de edifício senhorial do séc. XVI que se situa numa aldeia histórica. Extracto em língua dos arquitectos: na recuperação, que manterá a sua traça arquitectónica original, ... alia-se a arquitectura contemporânea, que dá a possibilidade de utilizar materiais e formas construtivas diferenciadas as quais vão reforçar o seu carácter, estabelecendo contrastes e texturas, mas com o objectivo de não por em causa a unidade do conjunto... será introduzido não só todo o conforto dos nossos dias mas também as novas tecnologias...
Estes factos levaram a que as entidades intervenientes nas diversas autorizações dessem o seu parecer favorável à efectivação deste projecto ... Benefícios para a comunidade local… elevado potencial turístico ... desportos de Inverno, rotas BTT, passeios pedestres, centros de equitação, caça, festivais internacionais de folclore, restaurantes, cinemas e teatros, centros de pesquisas arqueológicas, centros de ensino superior... um público nacional e internacional culto que procura acima de tudo um turismo cultural de qualidade...
Os filhos
Os filhos
Os filhos achavam o projecto de restauração da casa muito interessante, apoiam totalmente e gostam de vir cá. De vez em quando, claro, quando as suas ocupações o permitem. Sem o apoio deles, nem valia a pena meterem-se no projecto. Há certas coisas que, como o arsénico, são suportáveis em pequenas doses. Muito pequenas, senão matam. Mas as doses que os Albatrozes têm que suportar são muito maiores e muito mais frequentes.
E então o seu próprio carpe diem?
Time Warp:
Em 2003, os Americanos e Ingleses invadem o Iraque e tomam Bagdade. As televisões mostram a biblioteca e o museu a serem saqueados por bandos de bárbaros, estranhamente rápidos, organizados e metódicos, que roubam tudo o que podem. Tesouros arqueológicos que datam dos primórdios da civilização, há cinco, seis e sete milénios.
É descoberto um gang dedicado a vender conhecimentos e materiais destinados ao fabrico de armas nucleares, chefiado pelo cientista responsável pelo armamento nuclear do Paquistão. As escolas corânicas neste país, subsidiadas pelo dinheiro do petróleo, continuam a encher as cabeças das crianças de ódio ao Ocidente e produzem futuros terroristas de mentalidade medieval, em vez de lhes proporcionar os conhecimentos contemporâneos necessários para a sua vida numa sociedade civilizada.
Durante este ano foram retirados do serviço os aviões Concorde, deixando saudades dos voos entre Paris e Nova York em três horas. Quando voltará isto a ser possível?
De volta da estação espacial, o shuttle Columbia explodiu ao reentrar na atmosfera, morrendo a tripulação de sete astronautas. Para que a evolução da espécie humana se faça para melhor, fazem mais falta os genes destas sete pessoas que os de todos os terroristas e outros extremistas do mundo.
JSR
JSR

O nosso, é mesmo um país de brandos costumes. Se o não fosse, absurdos como este que relata, faríam com que a venda de caçadeiras, fosse o negócio mais florescente cá do rectângulo...
ReplyDelete;)